Sunday, March 12, 2006

Leituras das Obras de Giambattista Vico


GIAMBATTISTA VICO

1668-1744


Giambattista Vico nasceu em Nápoles no dia 23 de junho de 1668, seu pai foi um pequeno livreiro que lhe proporcionou, desde cedo, a convivência com os livros. Muito inquieto durante a infância, Vico não conseguiu seguir com regularidade dos estudos elementares, vivia abandonando a escola para dedicar-se ao estudo solitário; insistindo no autodidatismo alcançou uma formação cultural muito vasta, que abrangeu os diversos ramos da Filosofia do seu tempo, além das outras áreas do conhecimento, especialmente a literatura, a retórica, a filologia, a história e o direito. Em 1694 laureou-se em Direito.

A partir de 1699, Vico passou a ocupar a cátedra de Retórica da Universidade Régia de Nápoles, permanecendo nesta atividade até bem pouco tempo antes de sua morte, ocorrida na noite do dia 22 para o dia 23 de janeiro de 1744. Durante o exercício da carreira universitária Vico produziu suas obras filosóficas dedicadas à promoção da ciência social e à emancipação humana. Entre os vários trabalhos publicados, alcançaram maior notoriedade os seguintes escritos: De nostri temporis studiorum ratione (1709), De antiquissima italorum sapientia ex linguae latinae originibus eruenda (1710), Diritto Universale (1720-1722), Autobiografia: la vita di Giambattista Vico scritta da se medesimo (1728) e as três edições da Scienza nuova (1725, 1730 e 1744).

A Scienza nuova foi o ápice do propósito acalentado por mais de 30 anos, o de promover o estudo das coisas humanas à esfera científica. Mais que o estabelecimento de uma nova ciência, a obra de Vico foi o marco de fundação do projeto de constituição do estatuto epistemológico das ciências sociais. O projeto de Vico conciliou as duas grandes correntes da filosofia do século XVII, o racionalismo e o empirismo, porque a pesquisa social não pode negligenciar o conhecimento das condições concretas da existência humana, tarefa esta possível de ser executada com o empirismo; contudo, a veracidade da descoberta científica precisa ser confirmada com a razão humana, de modo que o conhecimento autêntico evidencia a harmonia entre a prática e o pensamento.

Vico dedicou-se ao estudo da poesia primitiva — Homero em especial — para encontrar o primeiro pensamento humano nascido no mundo e que, simultaneamente, constituiu as bases do direito natural para a formação do mundo social. As fábulas antigas são histórias verdadeiras dos costumes dos povos bárbaros, e que devem ser tomadas enquanto tal, e não como verdades filosóficas de um tempo em que ainda não havia no mundo os filósofos. A pesquisa de Vico teve o propósito de descobrir as origens das coisas humanas, para poder explicar os fundamentos da vida em sociedade, cuja finalidade ultrapassou o intento meramente formal da investigação filosófica, Vico formulou também a sua crítica às práticas sociais que impedem a efetivação da igualdade e da libedade. Os poemas homéricos evidenciam o comportamento bárbaro dos tempos arcaicos, tempos da injustiça e do direito do mais forte. A comunidade humana pode rememorar as suas origem bárbara, e conhecendo as limitações do passado é possível preservar os tempos humanos no presente. Este foi o legado de Vico.

Principais edições das obras de Vico:

1. Os trabalhos publicados em vida:
— De nostri temporis studiorum ratione. Dissertatio a Ioh. Baptista a Vico neapolitano, eloquentiae professore regio, in Regia Regni Neapolitani Academia XV. kal. nov. MDCCIIX ad literarum studiosam iuventutem solemniter habita, deinde aucta. Nápoles: Felice Mosca, 1709.
— De Antiquissima Italorum Sapientia ex Linguae latinae Originibus eruenda. Libri tres Joh. Baptistae a Vico Neapolitani Regi Eloquentia Professoris. Nápoles: Felice Mosca, 1710.
— De rebus gestis Antonj Caraphaei. Libri quatuor. Excellentissimo Domino Hadriano Carapheo. trajcetinorum duci Forolivensium Dom. XII S. R. I. Comiti Hisp. Magnati amplissimo inscripti. Nápoles: Felice Mosca, 1716.
— De Universi Juris uno principio, et fine uno. Liber alter qui est de constantia jurisprudentis. Notae in duos libros alterum de uno universi juris principio et fine uno, alterum de constantia jursprudentis. Nápoles: Felice Mosca, 1720-1722.
— Principi di una Scienza Nuova intorno alla natura delle nazioni per la quale si ritruovano i principi di altro sistema del diritto naturale delle genti. Nápoles: Felice Mosca, 1725.
— Vita di Giambattista Vico scritta da se medesimo, in “Raccolta di opuscoli scientifici e filologici”. Veneza: Zane, 1728.
— Vici Vindiciae Ioh. Baptistae Vici Notae in Acta Eruditorum Lipsiensia mensis augusti A. MDCCXXVII. Nápoles: Felice Mosca, 1729.
— Cinque libri di Giambattista Vico De’ Principj d’una Scienza Nuova d’intorno alla comune natura delle nazioni. Nápoles, Felice Mosca, 1730.
— De mente heroica. Dissertatio habita in Regia Academia Neapolitana XIII Kal. Novembris Anno 1732. Nápoles: Paci, 1732.
— Principj di Scienza Nuova di Giambattista Vico d’intorno alla comune natura delle nazioni. In questa terza impressione dal medesimo autore in gran numero di luoghi corretta, schiarita e notabilmente accresciuta. Nápoles: Muzio, 1744.

2. Edições póstumas:
— Lettere ed altri pezzi inediti. Testi tratti da un manoscritto della Biblioteca Reale e pubblicati dal bibliotecario della stessa, A. Giordano, unitamente all’Orazione ed all’Ode in morte di Angiola Petrella. Nápoles: Giovanitti, 1818.
— Q. Horatii Flacci De Arte Poetica Librim cum notis Ioannis Baptistae Vici, a cura di A. Giordano. Nápoles: Biblioteca Analitica, 1819.
— Poesie varie. In Opere, vol. II, a cura di N. Corcia. Nápoles: Tipografia della Sibilla, 1834.
— De De partenopea conjuratione, IX Kal. octobris 1701. In Opere, vol. I a cura di G. Ferrari. Milão: Classici Italiani, 1837.
— Delle instituzioni oratorie, a cura di L. Parchetti. Novi: Moretti, 1844.
— Cinque orazioni latine inedite, pubblicate da un Cod. MS. della Biblioteca Nazionale per cura del bibliotecario Antonio Galasso. Nápoles: Morano, 1869.

3. As edições críticas na língua original:
— De Ratione. In Opere, vol. I, a cura di A. Battistini. Milão: Mondadori, 1990.
— Il De Italorum sapientia e le Polemiche. In Opere, vol. I a cura di G. Gentile & F. Nicolini. Bari: Laterza, 1968.
— Le gesta di Antonio Carafa. A cura di M. Sanna. Nápoles: Guida, 1997.
— Opere giuridiche. Il Diritto universale. A cura di P. Cristofolini. Florença: Sansoni, 1974.
— La Scienza Nuova prima con la polemica contro gli “Atti degli Eruditi” di Lipsia. In Opere, vol.III, a cura di F. Nicolini. Bari: Laterza, 1968.
— Autobiografia, seguita da una scelta di lettere orazioni e rime. A cura di M. Fubini. Turim: Einaudi, 1965.
— Vici Vindiciae Ioh. Baptistae Vici Notae in Acta Eruditorum Lipsiensia mensis augusti A. MDCCXXVII. In Varia, il De mente heroica e gli scritti latini minori. A cura di G. G. Visconti Nápoles: Guida, 1996.
— Principi d’una Scienza Nuova d’intorno alla comune natura delle nazioni (1730). A cura di M. Sanna & F. Tessitore. Nápoles: Morano, 1991.
— De mente heroica. In Varia , il De mente heroica e gli scritti latini minori. A cura di G. G. Visconti. Nápoles: Guida, 1996.
— Principi di Scienza Nuova (1744). A cura di F. Nicolini. Milão: Mondadori, 1992.
— Le orazioni inaugurali I – VI. A cura di G. G. Visconti. Bolonha: Il Mulino, 1982.
— La congiura dei principi napoletani. 1701. A cura di C. Pandolfi. Nápoles: Morano, 1992.
— Poesie. In Opere, vol. I, a cura di A. Battistini. Milão: Mondadori, 1990.
— Epistole, Con aggiunte le epistole dei suoi corrispondenti. A cura di M. Sanna. Nápoles: Morano, 1993.
— Commento all’ ‘Arte poetica di Orazio’. A cura di Guido De Paulis. Nápoles: Guida, 1998.
— Institutiones Oratoriae. A cura di G. Crifò. Nápoles: Istituto Suor Orsola Benincasa, 1989.
— Minora, scritti latini storici e d’occasione. A cura di G. G. Visconti. Nápoles: Guida, 2000.


4. As traduções em língua portuguesa:
— Princípios de (uma) ciência nova (acerca da natureza comum das nações). In Vico. tradução de Antonio Lázaro de Almeida Prado. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Coleção “Os Pensadores”. Tradução parcial.
— A ciência nova. Tradução de Marco Lucchesi. Rio de Janeiro: Record, 1999. Tradução integral.

5. Os principais trabalhos sobre Vico em língua portuguesa:

— BERLIN, Isaiah. Vico e Herder. Brasília: Editora da UnB, 1982.
— BOSI, Alfredo. Uma leitura de Vico. In O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix/Editora da Universidade de São Paulo, 1977, p. 195-220.
— BURKE, Peter. Vico. São Paulo: Editora da UNESP, 1997.
— FIKER, Raul. Vico, o precursor. São Paulo: Editora Moderna, 1994.
— GUIDO, Humberto. Giambattista Vico: a filosofia e a educação da humanidade. Petrópolis: Vozes, 2004.
— REALE, Miguel. Giambattista Vico, a jurisprudência e a descoberta do mundo da cultura. Revista Brasileira de Filosofia, Rio de Janeiro, Vol. 1, n. 4, 1951: 408-422.
— RISÉRIO, Antonio. A via Vico. Revista USP, São Paulo, n. 23, 1994, p. 34-47.
— ROHDEN, Valério. Vico e a historicidade do saber. Revista Brasileira de Filosofia, Rio de Janeiro, Vol. 18, n. 72, 1968: 406-417.
— ROSSI, Paolo. Os sinais do tempo: história da terra e história das nações de Hooke a Vico. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
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GRUPO DE ESTUDO DA FILOSOFIA DE G. VICO


Coordenador: Prof. Dr. Humberto Aparecido de Oliveira Guido (UFU)
Pesquisador: Prof. Ms. Sertório de Amorim e Silva Neto (UNIMINAS)
estudantes:
João Carlos Oliveira Cavalcante
Janaína Balbino Lizardo
Alex da Silva Muniz
Arcivaldo da Silva


O Grupo de Estudo da Filosofia de G. Vico está cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq desde 1997; o Grupo conta com a participação de bolsistas de Iniciação Científica financiados pelo CNPq e pela FAPEMIG (Fundação de Amparo Á Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e prepara estudantes para o ingresso em Programas de Pós-Graduação em Filosofia e em Educação, os quais têm ingressado e concluído seus estudos em diversas universidades públicas da região sudeste, tais como UFMG, USP, UFSCAR, além da UFU.

Além do vínculo institucional na Universidade Federal de Uberlândia e do registro no CNPq, o Grupo tem participado dos principais eventos internacionais dedicados ao estudo da obra de G. Vico. Em outubro de 1999, o coordenador do Grupo participou do Congreso Internacional: pensar para el nuevo siglo. Giambattista Vico y la cultura europea, realizado na cidade de Sevilha, que contou com a presença de 52 pesquisadores dos diversos países da Europa, América do Norte e América do Sul. Na ocasião foi apresentado o trabalho Vico e l’emancipazione delle belle arti: l’arte come creazione ed espressione della mente umana. Em janeiro de 2002, o coordenador participou do colóquio dedicado à discussão e exposição da herança viquiana nas culturas hispânica e lusitana: Vico nelle culture ispaniche e lusitane, foi realizado nas cidades de Nápoles e Pagani. Neste evento foi apresentado o projeto de pesquisa do Grupo brasileiro e também a seguinte conferência La filosofia di Vico senza l’influenza di Benedetto Croce: le nuove prospettive degli studi vichiani in Brtasile.

A participação nesses eventos internacionais possibilitaram a integração do Grupo de Estudo da Filosofia de G. Vico com os grande centros internacionais dedicados ao estudo e divulgação da obra de Vico, em especial com o Centro di Studi Vichiani de Nápoles e o Centro de Investigaciones sobre Vico de Sevilha. Além do intercâmbio com estes centros, hoje existe a cooperação científica mantida com dezenas de pesquisadores da Itália, Espanha, França e Argentina, que hoje é essencial para o funcionamento do Grupo.

O estágio atual das atividades do Grupo, além do trabalho pioneiro do estudo sistemático das obras de G. Vico no Brasil, engloba também o trabalho editorial de tradução das obras do filósofo napolitano, a participação nas atividades de pós-graduação stricto sensu e ainda o intercâmbio com o Grupo de Trabalho de Filosofia da História e Modernidade da ANPOF — Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia - ANPOF. O Grupo de Estudo sediado na Universidade Federal de Uberlândia está aberto a todos os estudantes que queiram pesquisar as obras de Giambattista Vico.

Para entrar em contato com o Grupo de Estudo da Filosofia de G. Vico:

guido@ufu.br

Grupo de Estudo da Filosofia de G. Vico
Universidade Federal de Uberlândia
Avenida João Naves de Ávila, 2160
Sala 1U125 — Bloco 1U — Campus Santa Mônica
38.408-100 Uberlândia — MG — Brasil